sábado, dezembro 13, 2008

Convivências

"O vitríolo ou a amargura

No meu livro “Veronika decide morrer”, que se passa em um hospital psiquiátrico, o diretor desenvolve uma tese a respeito de um veneno indetectável que contamina o organismo com o passar dos anos: o vitríolo.

Assim como a libido – o líquido sexual que o Dr. Freud reconhecera, mas nenhum laboratório fora jamais capaz de isolar, o vitríolo é destilado pelos organismos de seres humanos que se encontram em situação de medo. A maioria das pessoas afetadas identifica seu sabor, que não é doce nem salgado, mas amargo – daí as depressões serem profundamente associadas com a palavra Amargura.

Todos os seres têm Amargura em seu organismo - em maior ou menor grau - da mesma maneira que quase todos temos o bacilo da tuberculose. Mas estas duas doenças só atacam quando o paciente acha-se debilitado; no caso da Amargura, o terreno para o surgimento da doença aparece quando se cria o medo da chamada “realidade”.

Certas pessoas, no afã de querer construir um mundo onde nenhuma ameaça externa pudesse penetrar, aumentam exageradamente suas defesas contra o exterior – gente estranha, novos lugares, experiências diferentes - e deixam o interior desguarnecido. É a partir daí que a Amargura começa a causar danos irreversíveis.

O grande alvo da Amargura (ou Vitríolo, como preferia o médico do meu livro) é a vontade. As pessoas atacadas deste mal vão perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguem sair de seu mundo – pois gastaram enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.

Ao evitar o ataque externo, também limitam o crescimento interno. Continuam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontece automaticamente, sem que entendam direito porque estão se comportando assim – afinal de contas, tudo está sob controle.

O grande problema do envenenamento por Amargura reside no fato de que as paixões – ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade – também não se manifestam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.

Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos são sempre fascinantes: eles não têm medo de viver ou morrer. Tanto os heróis como os loucos são indiferentes diante do perigo, e seguem adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicida, o herói se oferece ao martírio em nome de uma causa – mas ambos morrem, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. É o único momento em que o amargo tem força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e os pés cansam, e ele volta para a vida diária.

O amargo crônico só nota a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tem o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebem que alguma coisa está muito errada. "

(Postagem do Blog do Paulo Coelho)


As convivências estão me matando aos poucos... Não consigo mais definir o que é certo do errado, antes eu tinha as coisas mais claras do que agora.

Infelizmente sinto uma dor, que achei não sentiria mais, talvez minha "imunidade" e minha "bolha de plástico" não tenham funcionado dessa vez, pois os instintos humanos foram mais fortes que o pensamento.

Listening: Hole in my soul - Aerosmith

Em todos os lugares a convivência com pessoas "limitadas" é inevitável, por mais que em alguns lugares acabem se tornando piores do que em outros, as futilidades me revoltam de tal modo a ponto de afetar minha maneira de pensar e de agir. Essas convivências não benéficas acabam redudantemente, me prejudicando, o que é de se esperar, como em tudo. Vendo por um terceiro ponto de vista, talvez eu seja uma dessas pessoas, manipulável, ignorante, introvertida, depressiva, hipocondríaca, descordenada, usável, burra, estranha, ridícula, esquisita, maluca, ou talvez no fundo eu acredite em tudo isso e ache que certas coisas boas que vem, não são pra mim... Preciso tentar me fixar na maneira que eu me sinto e melhorar o meu jeito de ser e parar de me importar com o que os outros me fazem, me falam ou deixam de agir. Na realidade gostaria de um isolamento, um lugar onde só eu fosse capaz de entrar e lá eu me achasse como em lugar nenhum, esse lugar tem uma localização indefinida, eu sei que é longe e que pode ser sofrido até chegar lá, um lugar que a muito tempo eu procuro. Com certeza esse lugar não esta em outra pessoa. Não quero um refúgio humano e suscetível a tudo que eu sinto e a todas as perturbações que tenho. "Quero voar para longe daqui, pois nossas esperanças e sonhos estão em algum lugar longe daqui.. " Já que ando nessa fase bem Aerosmith vamos relembrar vários clássicos...

Listening: Fallen Angels - Aerosmith

Não sei qual a minha função aqui se é que tenho. Espero sinceramente que sim.

Vou usar as inclinações que tenho e fixar nas coisas que realmente importam, afinal não posso perder meu "foco".

O que é o "viver" tão comentado por eles? Então concluo que nessa não vida que me encontro, não posso fazer parte disso. "Só me interessam os passos que tive de dar na vida para chegar a mim mesma. " Acabei de encontrar essa frase.. no msn de uma amiga... e talvez me resuma muito nesse momento. Preciso me encontrar, mesmo que eu me afunde mais em mim! O que me faz pensar que a depressão é apenas um estágio do ser evolutivo. Quem não se procura, nem que isso seja uma tortura, nunca irá se achar. Não posso resumir meu mundo a apenas uma pessoa que não seja eu. Acho que por um deprimente sábado a noite.. Isso é tudo pessoal!

;}


Talvez eu esteja me tornando apenas mais um amargo...


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